Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007

As guerras do gato e do rato

Sob este tema, já ventilámos duas diferenças tácticas e estratégicas das opções militares francesas e britânicas, que levaram à vitória dos últimos, apoiados por tropas portuguesas, e à claudicação dos napoleónicos, designadamente no que se refere à I Invasão da Guerra Peninsular.

Mas outras opções, diametralmente opostas, levaram àquela consumação e, sobre mais duas delas, nos debruçaremos agora.  

A Napoleão, desde Julho de 1807, lhe estava claro na estratégia, já que contava com a aliança com Espanha, que a invasão de Portugal era um facto assumido, face ao apoio do nosso país à Inglaterra, muito em especial na batalha naval de Trafalgar, e à dimensão e valia do império colonial luso. 

Era-lhe útil o domínio territorial e económico de todo esse espaço, o apresamento da armada portuguesa e a detenção da nossa família real. Estes dois últimos objectivos eram a grande tarefa de Junot, para que se reabilitasse da vida de boémia e gastos que vinha mantendo, tal como de uma carreira militar arrojada, mas de duvidosa capacidade de alto comando.

Os ingleses, por seu lado, em articulação com o príncipe regente, D. João, e o governo de Portugal, desde a mesma data que sabiam da incapacidade da resistência de um país pobre, sem estruturas e sem exército, para fazer frente às mais numerosas e bem treinadas forças terrestres do tempo, as francesas.

Assim, e secretamente, foi preparada a transferência da corte e governo para o Brasil, a tempo de as tropas gaulesas os não deterem, bem como a saída da nossa armada que, se não zarpasse a tempo, seria afundada pela Própria frota inglesa.

A detenção da família real daria a Napoleão a propriedade de todos os territórios portugueses, continentais e ultramarinos, da mesma forma que o apoderar-se da nossa armada, talvez a melhor do mundo a seguir à inglesa, lhe conferisse capacidade para começar a combater o domínio dos mares, que eram posse absoluta dos britânicos.

E como aconteceram as coisas?

A partida da corte, do governo, dos tesouros e arquivos reais e de cerca de quinze mil pessoas, não foi feita em sobressalto e desprogramada, ela estava de tal forma organizada que se consumou em cerca de dois dias; e, 

Junot chegou a Lisboa tarde demais, para os objectivos que trazia, dado que ainda avistou a frota a sair da barra, com a frustração de ter ficado “a ver navios”, expressão que ainda hoje se usa para quem não consegue realizar um objectivo importante a que se comprometera. 

Napoleão repreendeu severamente o seu irmão, embaixador em Madrid, e o próprio Junot pelo fracasso desta missão e, quando das suas memórias, já escritas desde o exílio na ilha de Santa Helena, confessou que foi a falência desta estratégia em Portugal, que ditou o princípio do seu fim. 

Outra diferença diametral nas opções estratégicas, situou-se nas escolhas tácticas de combate:

Os franceses tinham testado, até então, a ofensiva central e em bloco, com linhas, como ondas maciças de soldados de infantaria, com efectivos numerosos e poderosos, que lhes permitiram os êxitos militares retumbantes até 1807, e que pensaram ser solução infalível; e,

Os ingleses que utilizavam novas armas, designadamente a Baker, já dotada de estrias, que lhes davam uma capacidade de ataque e renovação das linhas frontais, que sustinham o ímpeto combativo dos gauleses. Porém, a inovação trazida para a Guerra Peninsular, pelos generais britânicos, residia na formação das suas forças em três frentes: A central e duas de envolvimento, flanquiando o opositor pela direita e pela esquerda. 

Foi esta divergência táctica que ditou grande parte do êxito dos exércitos ingleses sobre os franceses, em todo o desenvolvimento da Guerra Peninsular, e depois dela, e foi, sem dúvida, a tenaz feita pelas forças do coronel Ferguson, flanqueando as forças do general Delaborde pelo lado dos Baraçais, e as portuguesas sob comando do tenente-coronel Trant, pelo lado das Cezaredas, que ditaram a vitória das tropas luso-britânicas na batalha da Roliça.

Nem sempre ganha o gato, nem o rato, mas é companhia do vencedor o saber aproveitar-se inteligentemente do efeito de surpresa e, por isso, das manobras não previsíveis, sobretudo quando desenvolvidas antes do tempo útil que ao inimigo daria jeito. 

Manuel Patuleia

publicado por BatalhaRolica às 09:36
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