Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

As guerras do gato e do rato

A I Invasão a Portugal, dentro das mais latas acções inseridas na Guerra Peninsular, assentou na ocupação territorial promovida por franceses e espanhóis, com a ajuda de alguns suíços e, da outra parte, nas forças de desocupação, as britânicas, a que se juntaram cerca de dois mil militares portugueses e a resistência heróica do povo luso. Foram diversas as estratégias e tácticas utilizadas pelos generais comandantes de ambos os exércitos: Junot, à frente das forças napoleónicas, e Welsley, no mando das tropas luso-britânicas. Parte das decisões tomadas, por vezes de importância estratégica e táctica fundamental, tiveram opções totalmente inversas, segundo a orientação de cada um dos comandos, pelo que abordaremos algumas das mais relevantes e objectivas: Na primeira delas, refiro-me ao modo de deslocação das forças, desde França e Inglaterra até ao nosso país.
Os gauleses, com a sua armada já antes afundada pelos ingleses, não tinham outra opção que não fosse a via de deslocação terrestre, atravessando a Espanha, passagem que lhes foi assegurada através do Tratado de Fontainebleau. As forças, concentradas em Baiona e compostas por vinte e cinco mil homens de infantaria e três mil de cavalaria, entraram em Espanha a 17 de Outubro de 1807, e é notável o facto de terem cruzado toda a Espanha no período de um mês, dado que iniciaram o seu ingresso na nossa fronteira de Segura, em 17 de Novembro seguinte. Convém ter em mente que cada homem transportava consigo uma carga de entre trinta e quarenta quilogramas de armamento e equipamento, mas não pode esquecer-se, por outro lado, que os comandava Junot, alcunhado por “ A Tempestade”, dado o vigor do seu temperamento e o obcecado objectivo de avançar, avançar sempre! Os britânicos, senhores dos mares de então, escolheram a travessia marítima, pela razão da sua insularidade e pelo facto de todos os territórios de acesso a Portugal estarem controlados pelos franceses ou pelos espanhóis, seus aliados.
Assim, a armada inglesa congregou-se no porto de Cork, e aí se equipou e armou, tendo zarpado em 16 de Julho de 1808, rumo a Portugal, onde iniciou o desembarque a 1 de Agosto imediatamente posterior. Sendo impraticável o desembarque em Lisboa, defendida pelos franceses, o general Wellesley decide aportar na praia de Lavos, imediatamente a Sul da Foz do Mondego, o último curso de água de caudal significativo a Norte de Lisboa, e para ela avança pela via terrestre. Outra decisão estratégica teve que ver com o apoio de logística, designadamente no campo da alimentação, Pelo que os ingleses, sabedores da pobreza do povo português e dos saques que lhe estavam a ser feitos pelas tropas francesas, optaram por carregar na sua armada os mantimentos necessários ao sustento dos seus homens, que seguiram ao longo da costa para que, dos seus navios, fossem convenientemente abastecidos. Em contrapartida, pode dizer-se que os franceses entraram em Espanha de mãos a abanar, baseados na cláusula da Convenção Anexa ao Tratado de Fontainebleau que incumbia aquele país de os alimentar durante a sua passagem por lá, o que funcionou mal e causou sérias baixas no exército de Junot, nomeadamente a partir da zona de Ciudad Rodrigo, altura em que os seus militares foram dizimados às centenas pelas cheias, fome e exaustão. Junot chegará a Lisboa acompanhado somente por cerca de milhar e meio de homens esfarrapados e esfomeados! Mas por cá as coisas não melhoraram muito; A pobreza e resistência de um povo, que desde cedo foi avesso aos franceses, causaram-lhes muito difíceis condições de subsistência.
Por este tipo de diferenças nas opções estratégicas e tácticas se pode ganhar uma guerra ou perdê-la; E foi o que aconteceu!
Brevemente se voltará a evidenciar outras divergências que, sem dúvida, foram a razão da forma como as acções militares se desencadearam e decorreram durante as ofensivas feitas a Portugal durante as campanhas da Guerra Peninsular.

Manuel Patuleia
publicado por BatalhaRolica às 16:03
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